Sítio Arqueológico Furna do Estrago

A região, na pré-história e hoje;

Ela se encontra a norte da Serra da Boa Vista, conhecida no local como Serra do Estrago, e a pouco de mais de 1km a

Vista da subida ao acesso do sítio

oeste da cidade do Brejo. Encontra-se nas proximidades dos rios Capibaribe e Ipojuca. Paisagens que tem a presença de depressões, declives e aclives e uma vegetação exuberante. Com presença de formações rochosas graníticas. O solo com material depositado bem raso. Os climas locais variam de semi-árido na caatinga; quente e úmido com chuvas no período de outono-inverno numa faixa restrita; e úmido na Mata Serrana.

Não houve grandes mudanças nos clima desde a época pré-histórica, a não ser no período de 2.000 anos de seca devido à glaciação.

O sitio em si;

A Furna está na borda da Caatinga, ecossistema este que é dominante. O abrigo é formado de rocha granítica proveniente da Glaciação Host, com a abertura voltada para o Nordeste, tendo atrás de si uma muralha de granito da própria serra. Era usada como abrigo contra as intempéries.

Em sua totalidade o salão da Furna tem 19m de abertura, 4,80m e altura máxima e uma profundidade de 8,80m. O seu interior tem 125m2, do qual somente 75m2de refugio e o restante ocupado por grandes rochas.

Entrada de acesso ao sítio

As curvaturas do teto e das paredes se encontram no fim do abrigo. Existe no teto marcas da utilização de fogueiras. Do interior somente 15m2 foi escavado. Desta pequena escavação por assim dizer, foram retirados 60 esqueletos humanos com seus pertences de 3 etapas diferentes. Além destes materiais artes em sílex e pedras que eram utilizadas para quebrar como também tacapes foram encontrados. E na frente da entrada do abrigo existe uma espécie de grande salão aberto que deveria ser utilizado pela comunidade como local de trabalho e lazer. E dele se tem uma ampla visão de toda a área.

A primeira população esteve na Furna em mais ou menos 11.000 anos atrás, esta foi a única a consegui a dominar a técnica de fazer fogo; já à segunda passou por lá há 8.000 anos e a terceira a 2.000 anos. Todas as três usavam como abrigo temporário. Porem a terceira migrou do abrigo para as beiras dos rios quando a glaciação secou mais a área. Transformando se em comunidade ribeirinha por um período e se alimentando da abundancia de peixes do local.

Vista de cima da Pedra da Furna

A boa conservação do material se deve a grande camada de areia que se acumulou em cima e também do clima da região.

O sitio provavelmente se torne um enclave. Pois como existem 53 pontos que revelam a presença de povos passados. Só falta determinarem que todos os pontos são resultado da mesma povoação. Se sim ficara como enclave, se não permanecerá como sitio.

A fauna e a flora, na pré-história e hoje;

No tocante a flora nós temos como resultado das escavações a presença de algumas espécies de vegetais. As que foram identificadas são: Jussara, coquinho, catolé, jatobá, imbu dentre outras. Elas ainda são encontradas em nossa época. No sitio pode-se encontrar mais de 1.000 espécies de plantas somente na mata do Bituri. Atualmente existem três tipos de vegetação, a de agreste, sertão e um braço da mata atlântica. Podemos também incluir a caatinga mesmo um pedaço menor. Da flora atual podemos citar:

*Cactos;

Vegetação local

*Xique-xique;

*Mandacaru;

*Jurema;

*Gameleira;

*Coroa de frade;

*Juá;

*Faixeiro;

Já a fauna os vestígios que temos vem da presença de ossos de pequenos roedores nas fogueiras presentes. Num determinado tempo os animais de grande porte saíram da região devido à glaciação que fez com que a região ficasse mais seca e quente. Ficando assim somente animais côo o veado, a ema e felinos.

Atualmente somente animais de pequeno porte são encontrados na região. No qual podemos citar:

*Teju;

*Mocó;

*Coelho;

*Guará;

*Tatu;

*Pequenas aves de rapina;

*Cobras;

*vacum;

Traços mais significativos da população que usou Furna como cemitério, em torno de 2.000 anos atrás;

Podemos dizer que eles eram uma comunidade caçadora e coletora. Totalmente diferentes dos que tinham habitado antes. Pois a primeira comunidade que passou por lá há 11.000 anos tinha o domínio do fogo e a ultima não. Por isso se alimentavam de carne crua e sementes duras. É o que denuncia seus esqueletos que nos mostram os dentes quase que totalmente gastos.

Fóssil (em posição fetal original do momento da escavação) de aproximadamente 2.000 anos retirado do sítio.

Mas, o que mais chama atenção no tocante é a maneira com que eles cuidavam de seus mortos e de como eram enterrados. Eles eram colocados em covas que tinha um espaço de 1m2, envoltos numa espécie de esteira, em posição fetal, com alguns pertences e geralmente com o rosto virado para o leste ou oeste. Poucos foram encontrados com a face voltada para o chão. Pode-se dizer que esta maneira ritualística por assim dizer já expressava de certa forma uma experiência religiosa ou divina. Analisando a posição fetal pode-se interpretar como uma espera para o renascimento ou que ele esta voltando para onde veio da mesma forma. E a face para o leste ou oeste, ambos respectivamente são as posições na qual o sol nasce e se põem. Já ai se juntando com a posição com que eram enterrados poderia embasar mais. Mas não se pode afirmar nada já que não existe nada escrito.

Já a escolha do local para este fim é interessante, pois se em nossa época ele fica afastado da cidade, fazendo com que mergulhemos num silencio profundo imaginemos então há 2.000 anos atrás. Um dos corpos que foi encontrado na Furna tinha entre os seus pertences uma flauta de osso. Ficamos então imaginando este homem ao fim do dia tocando tal flauta no fim do dia. Criando então um clima de êxtase propicio para experiências com a natureza ou religiosas.

Vestígios da cultura do grupo;

Já na parte de cultura o que é mais expressivo são as pinturas rupestres. Ao redor da furna existem 53 pontos que estão dentro de uma área de 45km2. O material utilizado para fazer tais figuras era de origem mineral e vegetal. O ocre é um minério de ferro de cor avermelhada que era misturada a uma cera vegetal para haver a boa fixação da “tinta” na parede.

Pintura rupestre local

Estas pinturas podem ser classificadas em três tipos, a zoomórfica que mostra figuras de animais; a antropomórfica que representava seres humanos e as geométricas que como o nome já diz representava figuras conhecidas por todos.

Adornos utilizados pelos nativos preservados juntamente aos fósseis.

O painel onde estas gravuras estão mede 3m de altura por 1,20m de largura. O interessante nele é que somente o local pintado esta lixado. Como se as pessoas que expressaram a arte tivessem preparado o local antes de recebê-las.

Infelizmente devido à passagem do tempo uma parte delas esta se apagando. Um fato que não se poder esquecer é que quando elas foram descobertas o padre local viu a representação de um homem no qual nele esta a presença fálica. Então ele viu aquilo como sendo algo indecente e mandou lixar esta parte.

As gravuras podem ser relacionadas à espiritualidade e também ao imaginário do que veio ou estaria por vir na caça. Ainda não se pode dizer com certeza o que eles queriam passar com estas gravuras, e é altamente perigoso por assim dizer que nós com a cultura atual possamos interpretar elas, podendo distorcer a realidade.

Para tentar preservar ao menos um esboço delas foi aplicada a técnica de decalque do professor Paulo Tadeu de Albuquerque, que utilizava uma lona plástica transparente para fazer a “Xerox” da imagem.

Outra parte cultural também é a produção de adornos como colares de ossos e pedras locais nas quais eram utilizados em vida como também no momento do enterro. Vendo assim que havia a formação e desenvolvimento de uma cultura bastante peculiar.

Para quem não conhece um pouco da História e da Pré-História de nosso estado vale a pena visitar. Caso não possam há o Museu Arqueológico da Universidade católica de Pernambuco. Lá guardam peças do local como também fotos e há a mediação dos alunos do Curso de História.

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Sobre O Gerente

Graduado em História pela Universidade Católica de Pernambuco, estudioso das áreas da Filosofia, Sociologia, correntes religiosas e da História da Igreja. Extrovertido e Nerd, eterno buscador do conhecimento e das virtudes humanas.

Publicado em 17 de janeiro de 2012, em A Bodega, Meu Pernambuco e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. talvez se esse sitio arqueologico tivesse dado lucro pro governo teria sido aproveitado como nao deu vive no abandono

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