Gravado a Ferro e Fogo

Realmente hoje é um dia que não há nada de especial a ser comemorado. Mas ele está gravado a ferro e fogo e de maneira bem viva na mente de muitos que carregam consigo as marcas da nossa Ditadura Militar.

Hoje lembramos que há 48 anos nossa sociedade foi reprimida e coagida de todas as formas e maneiras.

Todos os direitos que tínhamos foram caçados e retirados.

O único que nos restava era o de dizer “sim senhor”.

Ninguém era de confiança, o estado tinha olhos e ouvidos por todos os lados.

Dormia-se na cama e acordava-se na prisão…

Torturas, sequestros, assassinatos, desaparecimentos, invasões de privacidade, perseguições, etc…

Tudo isso e mais um pouco se deu início aos passados 31 dias do mês de março de 1964.

Mas tais atos não foram aceitos por nós tão facilmente.

E como um organismo vivo que rejeita algo estranho, nossa nação se contraiu e usou de seus anticorpos para lutar contra o que nos incomodava e mais uma vez ficar saudável.

Mas a febre durou anos vinte anos. Muitos glóbulos morreram e sumiram e o corpo até hoje mostra marcas profundas de tal batalha.

E por tanto ter sofrido, por tanto ter apanhado, que muito do que aconteceu ainda está na escuridão ocultada por nossos traumas e medos.

Se fecharmos os olhos e tentarmos imaginar este período, algo de desconfortável nos acontece. Mesmo para aqueles que não eram nascidos, mas quem tem através da história o conhecimento necessário para “ver” sentem as mesmas coisas.

“o vozerio gritando, sons dos cascos e relinchados dos cavalos, sirenes, tiros, gritos de ordem, gritos de dor, grades fechando, soldados marchando, o cheiro ferruginoso de sangue, corpo molhado, choques.”

Mas não podemos deixar isso ficar eternamente nas escuras. Temos de trazer a luz da verdade e do hoje tudo que realmente ainda não se conhece e que deixaram ser esquecido (escondido).

De maneira igual não podemos permitir que sejamos mais uma vez coagidos por grupos/pessoa que querem intimidar a  todos com sua voz grave e alta e com suas falsas verdades que só favorecem e engrandecem as minorias.

Que continuemos a defender a verdadeira democracia. Que defendamos com veemência a liberdade e direitos de escolha de nossos cidadãos e das gerações futuras.

Que sejamos iguais e livres em nosso enorme grupo fraterno.

Raphael Leal

Historiador

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Sobre O Gerente

Graduado em História pela Universidade Católica de Pernambuco, estudioso das áreas da Filosofia, Sociologia, correntes religiosas e da História da Igreja. Extrovertido e Nerd, eterno buscador do conhecimento e das virtudes humanas.

Publicado em 31 de março de 2012, em A Bodega, Brasil, Meu Pernambuco, Mundo. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Gleycinha Cavalcante

    Poucas vezes li algo que expressasse tão bem o luta do povo brasileiro contra a ditadura!

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