RELIGIÃO E SEXO: DO CONTROLE NA IDADE MÉDIA E DA SUA HERANÇA NA CONTEMPORANEIDADE – (Parte 01)

A sexualidade é o tema que pode ser considerado um dos mais presentes em qualquer momento da história. Desde as simples pinturas rupestres até as expressões artísticas mais modernas dos dias atuais o homem registra as maneiras, as formas, com quem e com o que ele pratica sua sexualidade e como ela se faz presente na sociedade.

Em nossa contemporaneidade, há uma grande liberdade de conversar e até mesmo de se colocar em pratica esta. Mas nem sempre foi assim. No período da Idade Média, este ato fora controlado e bem vigiado pela Igreja Católica Apostólica Romana. Todas as libertinagens originadas do recém caído Império Romano e dos povos bárbaros foram colocadasem xeque. Todosos clérigos tanto convocavam os fiéis a seguirem as novas condutas que eram baseadas em passagens bíblicas e dos exemplos dos santos quanto os estimulavam a praticar vigília da vida alheia. Fora uma fase em que o ato sexual era algo extremamente mecânico e que não proporcionava prazer quase algum. Algumas pessoas podem tentar dizer que estes fatos não existem mais em nossos dias. Enganam-se os que assim pensam. Mesmo num momento de grande abertura tanto de conhecimento quanto de diálogo, carregamos em nossa bagagem cultural e praticamos sem perceber muitos dos usos e costumes medievais. Podemos até dizer que a vigília do fazer sexo contemporâneo é o mesmo que existia no mundo medievo, só que numa roupagem que não constrange nem assusta aos cidadãos modernos.

SEXUALIDADE NA IDADE MÉDIA

Antes do surgimento do cristianismo já existiam nas chamadas culturas pagãs tentativas de controlar a libido humana. As defesas por uma vida mais uniforme, controlada e em harmonia com a natureza e a racionalidade eram a máximas destas sociedades. Para que atingisse este modo de vida, o homem teria de se afastar mais dos prazeres materiais, sexuais.  Estes eram considerados os impulsos que animalizavam os homens e faziam com que ele se igualasse com os animais. Viver uma vida em que o centro da relação entre homem e mulher era somente a sexualidade era considerado de caráter animal, pois eles quando estavam em períodos de cio buscavam uma fêmea para saciar a sua vontade carnal.

No ano de 392 d.C. o cristianismo é colocado como religião oficial de Roma pelo imperador Teodósio e aos poucos vai se consolidando e se enraizando na mentalidade e nos costumes dos citadinos romanos. Após a queda do Império é a igreja que se torna o baluarte e rocha ao quais homens e mulheres se apegam como conservadora do modo de viver romano é nela que eles se firmam e tem como farol de seus antigos valores. Com isso os clérigos conseguem adquirir prestígios e a confiança dos que os cercavam. Ganhando um espaço que eles preenchiam com a fé e impondo valores cristãos após terem se firmado socialmente e psicologicamente. Assim poderiam combater antigos costumes presentes na sociedade romana que não eram bem vistos pela igreja. E a maior dentre elas era a prática desenfreada e absurdamente depravada do sexo. Como fazer com que a sociedade fosse de certa forma educada? Como fazer que a pureza cristã fosse realmente presente numa sociedade que estava corrompida pela carne? Essas eram as perguntas maiores que o alto clero se fazia. Mas como poderia afastar do homem um momento em que o prazer era presente em sua vida?

Dentre alguns dos valores que a igreja semeava em sua seara de fiéis podemos ressaltar: a virgindade, a castidade e o matrimônio. (FRANCO JUNIOR. 2006: 127-128)

Dentro da virgindade todos eram conduzidos a imitar a vida de Cristo e a de sua mãe Maria. Ambos eram utilizados como exemplos de um afastamento aos desejos carnais ao que foram recompensados por Deus. Maria era assim a genitora do messias, um exemplo de que o ser humano poderia ser sim escolhido pelo divino amor de Deus e ser assim um exemplo de alegria e que saborearia no paraíso das benesses do Pai. Já Cristo encarnação do verbo e filho de Deus, a perfeição humana. É a esta perfeição que todos eram conduzidos pelos exemplos que estavam relatados no sagrado livro.

Já a castidade era alimentada pelos exemplos dos santos que largavam seus lares e seus casamentos para viver uma vida de santidade. Um homem ou uma mulher que assim seguisse estes exemplos, que eram encontrados nas hagiografias, poderiam carregar a certeza de que teriam uma vida plena e farta das mais belas e infinitas bênçãos celestiais. Afastar-se do pecado tornaria o homem cada vez mais próximo de Deus.

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Sobre O Gerente

Graduado em História pela Universidade Católica de Pernambuco, estudioso das áreas da Filosofia, Sociologia, correntes religiosas e da História da Igreja. Extrovertido e Nerd, eterno buscador do conhecimento e das virtudes humanas.

Publicado em 28 de junho de 2012, em A Bodega, Mundo. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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