RELIGIÃO E SEXO: DO CONTROLE NA IDADE MÉDIA E DA SUA HERANÇA NA CONTEMPORANEIDADE – (Parte 03) Final

Depois de ditar como seria o que se referia à sexualidade no seu entorno, veio então o quando e como o sexo deveria ser feito.

Domingos, dias santos e da quaresma eram dias em que a prática sexual era proibida. Durante o ano havia, sem contar os dias de menstruação, gravidez, amamentação e abstinência, 180 dias sem sexo durante o período da alta Idade Média. As pessoas que quebrassem estas regras passariam 40 dias em jejum alimentar e ou sexual além das penitências.

O sexo somente vaginal com fins de procriação, a mulher deveria ficar debaixo do homem para evitar a visão da nudez. Sexo oral, sodomia, abortos, incestos, adultério eram considerados atos abomináveis. Eram passiveis a excomunhão e a interdição perpétua de qualquer casamento e de relação sexual.

Por diversas formas, em diversas camadas e pelos mais variados motivos, a igreja pressionava aqueles que iam de contra seus valores. Independente de classe social todos que se colocavam em eu caminho eram rechaçados, excomungados e coagidos pelas penitências.

SEXUALIDADE NA CONTEMPORANEIDADE

A influência da igreja em nossa sociedade ainda e muito presente. Seu controle em relação à sexualidade é forte da mesma forma de como era na Idade Média. Quando se vai a uma cidade do interior, é comum se escuta que se um homem engravidar uma mulher ou que para o casal dormir junto tem de casar. São tradições que nossos avôs até hoje perpetuam. Considerado como valores ultrapassados eles ainda norteiam muitas famílias, principalmente as católicas tradicionais.

Em relação ao matrimônio, no Código do Direito Canônico. O direito canônico é o conjunto das normas que regulam a vida na comunidade eclesial. Diferentemente do direito romano, que disciplinava as relações no Império romano, o direito canônico está diretamente relacionado ao cotidiano de todos os católicos. Vemos que durante a Idade Média, o casamento era indissolúvel e que somente se houvesse traição da esposa, bigamia e se fosse com parentes próximos ele seria anulado. Estes motivos caíram por terra. Antes de tudo temos no cânon 1141 que nenhuma autoridade humana pode separar um casal depois do casamento realizado. (IGREJA CATÓLICA. 2005: 289) Mas no cânon seguinte temos o seguinte:

1142 O matrimônio não consumado entre batizados, ou entre uma parte batizada e outra não-batizada, pode ser dissolvido pelo Romano Pontífice por justa causa, a pedido de ambas as partes ou de uma delas, mesmo que a outra se oponha.

Ou seja, da mesma forma que em tempos medievais, o casamento se não for consumado (não houver o ato sexual), poderá ser dissolvido pelo Papa. E mesmo a contra gosto de um dos cônjuges.

Temos também o Catecismo da igreja católica. Trata-se de um texto de referência, com o qual se pode conhecer o que a Igreja professa e celebra, vive e reza em seu cotidiano. Ele foi organizado de maneira a expor em linguagem simples os elementos fundamentais e essenciais da fé cristã segundo ela. Nele em relação à sexualidade encontramos como ela deverá ser praticada somente dentro do matrimônio. Fazendo com que ela seja um sacramento bento. Uma aliança não somente entre oi casal, mas como entre o casal e o criador.

A sexualidade está ordenada para o amor conjugal entre o homem e a mulher. No casamento, a intimidade corporal dos esposos se torna um sinal e um penhor de comunhão espiritual. Entre os batizados, os vínculos do matrimônio são santificados pelo sacramento.

Quando se deixa explicito que a sexualidade está ordenada para o homem e a mulher, mais claro fica que as proibições das relações sexuais com animais, ou como conhecemos hoje como zoofilia, ainda são existentes só que aparecem de uma maneira menos agressiva no catecismo.

Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, significam e favorecem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido.

E ainda quando ele afirma que deve ser feito de forma verdadeira humana, honestos e dignos é justamente o reforço a condenação a prática da bestialidade que ele se refere.

Atos como a masturbação, a fornicação, a pornografia e as práticas homossexuais ainda são condenados pela igreja e considerados pecados gravíssimos. É no artigo 2396 que estas atitudes são condenadas. Tem-se de deixar claro que a igreja não condena o fato da pessoa ser homossexual. O que ela condena é a consumação de práticas homossexuais que tenham a relação sexual como cerne.

CONCLUSÕES

Podemos dizer que a igreja é a instituição mais presente até hoje na construção da história da humanidade. Independente dos fatos ela vem acompanhando e moldando as mentalidades até hoje. Por quase mil anos ela transformou o corpo num dos locais onde foram travadas batalhas entre a santidade e o pecado. Homens, mulheres, jovens, adultos, crianças e velhos todos reprimidos e coagidos de maneiras bruscas e até mesmo violentas para serem privados dos prazeres e delicias do sexo. Excomungados, penitenciados, queimados, marginalizados eram as sentenças que os que persistiam a levar uma vida de acordo com suas escolhas. Mesmo tendo passado estes tempos em que os padres tinham poder pleno, mesmo chegando aos dias atuais e que seus campos de ação diminuíram em grande parte, podemos ver que a influência e a muito da mentalidade medieval ainda é preservado em muitas famílias. Apesar da relutância da sociedade em negar que seguem algum parâmetro determinado pelo cristianismo católico, ele é colocado em prática sem se conhecer bem a origem. Então podemos dizer quem na contemporaneidade existe sim muito dos valores medievais. Que eles ainda controlam e influenciam em muito no comportamento do homem moderno e que será muito de se desvencilhar deles.

LEAL, Raphael Barros

REFERÊNCIAS

LE ROY LADURIE, Emmanuel. Montaillou, povoado occitânico: 1294-1324. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. 576 p.

HAUCOURT, Geneviève d’. A vida na idade média. Lisboa: Livros do Brasil, 1944. 153 p.

FRANCO JUNIOR, Hilário. A idade média: nascimento do ocidente. Ed. rev. e ampl. São Paulo: Brasiliense, 2006. 201 p.

LE GOFF, Jacques / TRUONG, Nicolas. Uma história do corpo na Idade Média. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1ª Edição – 2006. 207 p.

“Concílio Ecumênico de Trento” MONTFORT Associação Cultural http://www.montfort.org.br/index.php?secao=documentos&subsecao=concilios&artigo=trento〈=bra

Online, 04/11/2010 às 12:45h

IGREJA CATÓLICA. Codigo De Direito Canônico/ Código De Direito Canônico / Promulgado Por João Paulo Ii, Papa ; Trad. Conferencia Nacional Dos Bispos Do Brasil ; Notas, Comentários E Índice Analítico Pe. Jesus Hortal, Sj. 5. ed. São Paulo: Loyola, 2005. 503 p

CATECISMO da igreja católica. 1. ed. São Paulo: Loyola, 2000. 934 p

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Sobre O Gerente

Graduado em História pela Universidade Católica de Pernambuco, estudioso das áreas da Filosofia, Sociologia, correntes religiosas e da História da Igreja. Extrovertido e Nerd, eterno buscador do conhecimento e das virtudes humanas.

Publicado em 2 de julho de 2012, em A Bodega, Mundo. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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